
terça-feira, 28 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

*Tintinando
Infelizmente não aconteceu um quinto álbum e o Los Hermanos "saíram de férias". Um pouco decepcionada, aguardei principalmente os trabalhos dos dois compositores (no caso do Amarante, algo além do seu trabalho com samba e gafieira na Orquestra Imperial). E o que veio?
Gostaria que os Los Hermanos voltassem para a estrada, mesmo que os quatro músicos tenham provocado em mim certa preguiça ao anunciarem os shows de abertura para as apresentações de Kraftwerk e Radiohead - nos dias 20 e 22 de março, durante o Festival Just a Fest - mas negando o retorno definitivo da banda. Se a decisão for a de não encararem os palcos juntos novamente (para a felicidade daqueles que os consideram "Loser Manos"), algo me diz que ficarei mais atenta nos passos do baixinho. Aliás, o que ele anda fazendo por agora?
.
Leia Mais?quinta-feira, 9 de abril de 2009
.
Se todo filme é uma sucessão de reproduções fotográficas - imagens em movimento - Greenaway se destaca no modo de trabalhar essa experiência audiovisual. Quem for buscar por suas obras vai deparar com um profissional que explora na película o teatro, a pintura, a ópera, o vídeo. Vai descobrir que ele diz não gostar de contar histórias, pois acredita que não se deve reduzir o cinema à literatura. Uma afirmação um tanto extremista talvez, já que seus filmes contam histórias sim, senhor. Mas é verdade também que seus trabalhos não são fáceis de ser "digeridos". Trata-se de uma experiência de imersão nas imagens, não há dúvida. E é por este motivo que escolhi uma sequência de um dos seus filmes - a qual me faz invejá-lo - para iniciar uma série de postagens que pretendo fazer com cenas do cinema que são verdadeiras obras de arte.
Para quem não gosta de sinopses de filmes ou mesmo ver algum trecho "antes da hora", não siga a leitura se ainda não assistiu "O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante", filmado no final da década de 1980. Como já li uma vez, é "orgânico", de "discurso poético", "discurso imagético". Nas cenas que se seguem no vídeo abaixo, um casal se encontra no banheiro de um restaurante (o homem, solteiro, e a mulher, casada, se notaram enquanto jantavam, cada um em sua mesa). Não é necessário nenhum diálogo: uma única câmera narra os acontecimentos em um enquadramento perfeito e em apenas um movimento. Esse movimento marca justamente a mudança de cenários. Mudança que é intensificada pela variação de cores e seus significados: branco (isolamento, sonho) e vermelho (perigo, paixão). A teatralidade na representação e o figurino impecável acompanham a iluminação. Signos, gestos, expressões (ou a falta delas). Uma verdadeira aula de Estética e Semiótica.
A trilha eu deixei propositalmente como última observação. Ela é do compositor inglês Michael Nyman e é intitulada "Fish Beach". Curiosamente não se encontra na trilha sonora original deste filme, mas do produzido no ano anterior à ele (1988), "Afogando em Números".
Levando em consideração o cenário principal do filme, bom apetite! Contemple essas belíssimas fotografias. É um trabalho estético fascinante.